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Deus não matou um cordeiro no Eden

Gênesis 3 descreve a queda de Adão e Eva e a intervenção de Deus após o pecado. O texto bíblico afirma que o Senhor providenciou túnicas de peles para vestir o primeiro casal. Porém, algumas teologias têm afirmado que ali ocorreu um sacrifício de um cordeiro, apontando para Cristo como o “Cordeiro morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8).

Neste estudo, com base na Bíblia, na linguagem do texto e à luz da Lei de Deus, que existe antes de Moisés tanto oral quanto posteriormente escrita, veremos por que não houve sacrifício de cordeiro em Gênesis 3 e por que isso é essencial para a doutrina correta da encarnação e morte de Cristo.

1. O Texto não diz que houve sacrifício

O texto bíblico afirma apenas:

“E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.”
(Gênesis 3:21 ACF)

Observe: o versículo não menciona sacrifício, não cita cordeiro, não descreve imolação, sangue, altar, fogo ou oferta. Forçar uma leitura sacrificial ali é adicionar elementos inexistentes ao texto inspirado (Pv 30:6 “Nada acrescentes às suas palavras…”).

Se não está escrito, devemos ter cuidado em forçar palavras ou frases na tentativa de convencer ao público. A ideia de que houve um sacrifício ali pode até ser boa e gerar muito barulho em uma pregação de congresso. Mas carece de uma hermenêutica.

2. A lei oral e escrita APONTA para uma imolação completa

É fato que a Lei já existia de forma oral antes do Sinai (Gn 26:5), sendo depois registrada por Moisés (Gl 3:17; Rm 5:13). Se houvera sacrifício ali, ele teria de obedecer à própria Lei de Deus, que não muda, seja oral ou escrita.

E o que a Lei diz sobre o sacrifício de animal na liturgia exigida por Deus?

A Lei ensina que animais destinados à expiação e holocausto deviam ser queimados, incluindo peles quando o sacrifício era para expiação e culpa. Exemplo:

“Mas a carne do novilho, e a sua pele, e o seu esterco, queimará fora do arraial; fogo o queimará.”
(Levítico 4:11-12 ACF)

No sacrifício expiatório, até a pele era queimada, logo não poderia ser utilizada para vestir alguém.

Portanto, se alguém argumenta que houve sacrifício no Éden, teria que admitir que Deus violou Sua própria lei, o que é impossível (Ml 3:6 “Eu, o Senhor, não mudo”).

3. O problema do “Cordeiro”

Outro ponto crítico: muitos afirmam que o animal foi um cordeiro, conectando com Cristo. Porém:

  • O texto não diz que era cordeiro.
  • O cordeiro é pequeno demais para vestir dois adultos.
  • Para obter peles suficientes, vários cordeiros teriam que morrer, destruindo a imagem de um único sacrifício perfeito e suficiente, que só se cumpre em Cristo (Hb 10:10–14).

Assim, insistir que era um cordeiro cria o oposto do que desejam provar, pois isso fragmentaria o simbolismo de um único sacrifício redentor.

4. Cristo não poderia ter sido sacrificado ali

Se Gênesis 3 representasse literalmente um sacrifício substitutivo do Cordeiro (Cristo), então a obra expiatória teria sido consumada ali, e não haveria necessidade da encarnação dois milênios atrás.

Mas a Bíblia é clara:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”
(João 1:14 ACF)

Cristo precisava encarnar para morrer como homem perfeito, representante da humanidade (Rm 5:12–19; Hb 2:14–17). Um animal não poderia substituir o Filho de Deus:

“…é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados.”
(Hebreus 10:4 ACF)

Portanto, não houve sacrifício substitutivo no Éden, senão toda a obra de Jesus na cruz teria sido desnecessária.

Por mais que se ensine que o suposto sacrifício de Jesus no Eden seja somente espiritual se complementando fisicamente na sua encarnação, contradiz tudo o que a Bíblia ensina sobre o poder do SANGUE.

  • Jesus derramou o seu sangue físico.
  • Foi esse sangue que levou ao tabernáculo celestial (espiritual).
  • Se o suposto sacrifício de Gênesis tivesse sido somente espiritual, logo, não haveria necessidade de derramá-lo na cruz.

5. O Cordeiro “desde a Fundação do mundo”

Apocalipse 13:8 (ACF) diz que o Cordeiro foi “morto desde a fundação do mundo.” Isso não significa que literalmente Ele morreu antes da cruz, mas que o plano redentor já estava determinado na eternidade (1Pe 1:19–20).

A expressão aponta para a soberania do decreto divino, e não para um sacrifício literal anterior. Cristo morreu no tempo certo:

“…vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho…”
(Gálatas 4:4 ACF)

Conclusão: Vestes não são sacrifício

Deus vestiu Adão e Eva para cobrir vergonha (Gn 3:7,10), não para expiar pecado. A expiação viria em outro momento, com outro cordeiro, em outra natureza: a natureza humana de Cristo.

  • Não houve altar.
  • Não houve sangue expiatório.
  • Não houve imolação.
  • Não houve holocausto.
  • Não houve cordeiro messiânico.

Houve somente a provisão de Deus para cobrir a vergonha humana, enquanto o sacrifício perfeito esperava “a plenitude dos tempos.”

A beleza do Evangelho:

  • O Éden nos dá um sinal da graça: Deus cobre nossa vergonha.
  • A cruz nos dá a salvação: Deus remove nosso pecado.
  • E isso só poderia acontecer numa cruz, e não no Éden.

Aldery Rocha Júnior

Casado com Janet Castillo, criado no México. Filho da Pra. Osmarina Matos e do Pr. Aldery Rocha. Neto do missionário Jorge Matos.
Hoje é Diretor do Instituto Bíblico Roccastel, Mestre em Divindidade, com Especializações nos temas da Criação, Logísticas Eclesiásticas, Torá, Antropologia Bíblica, entre outros.

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